O primeiro leilão do Brasil para contratar baterias para o sistema elétrico recebeu cadastramento de 6.091 projetos, somando 296,81 gigawatts (GW) de potência, um recorde de participação para certames de contratação de projetos no setor elétrico, informou a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) nesta segunda-feira (3).
O volume de empreendimentos é mais do que o dobro do inscrito para o leilão de segurança energética de março deste ano, voltado para usinas termelétricas e hidrelétricas, que resultou na maior contratação já realizada no setor elétrico brasileiro. Na fase de cadastramento, o leilão passado somou 120 GW em projetos.
Apesar da elevada quantidade de inscrições, a demanda projetada para o leilão é estimada em volume muito menor, da ordem de 2 GW a 5 GW, conforme estimativas de mercado e comentários do próprio governo, sugerindo a possibilidade de uma disputa acirrada.
O certame inédito será dividido em duas datas no mês de dezembro. A primeira concorrência, no dia 2 de dezembro, será destinada a projetos que atendam a requisitos mínimos de nacionalização, enquanto a segunda, em 4 de dezembro, será aberta a todos os projetos, sem exigência de conteúdo nacional.
Dos mais de 6.000 projetos inscritos, 4.939 empreendimentos, ou 245,6 GW, estão cadastrados para ambas as disputas. Mais 357 projetos se cadastraram só para a concorrência do dia 2 de dezembro. Outros 795 se inscreveram só para o dia 4.
Na abertura por regiões, 71,1% dos projetos cadastrados estão no Nordeste. A concentração na região foi provavelmente incentivada pelo “bônus locacional”: projetos situados em pontos específicos da rede nacional, principalmente no Nordeste, terão vantagem na concorrência.
O Sudeste aparece em segundo lugar, correspondendo a 18,8% do total dos projetos cadastrados para o leilão de baterias, seguido pelo Sul (5,1%), Centro-Oeste (3,4%) e Norte (1,6%).
Segundo a EPE, o expressivo volume de projetos evidencia o “elevado interesse” de agentes no segmento e reforça o papel estratégico dessa tecnologia para o país.
“As características modulares dos projetos, aliadas à não exigência de licença ambiental ou certificações de projeto nessa etapa, contribuem para o elevado quantitativo”, observou a EPE.
Os projetos cadastrados passarão agora pelas etapas de análise e habilitação técnica para poder efetivamente participar do leilão.
Prometido desde 2024, o certame já mobilizou uma série de grandes investidores, de empresas de energia a fabricantes chinesas de baterias, e ajudará a ampliar o leque de recursos de segurança energética do Brasil em meio ao forte crescimento das fontes renováveis solar e eólica nos últimos anos, cuja geração variável desafia a operação do sistema elétrico.
Serão negociados nos certames contratos de disponibilidade de potência das baterias, com prazo de suprimento de 15 anos e início em 1º de agosto de 2028. Os projetos deverão atender a requisitos técnicos como tempo mínimo de descarga de 4 horas e tempo máximo de recarga de 6 horas.

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