O petróleo abriu a semana em forte queda, seguindo o que parece ser uma desescalada das tensões militares entre Estados Unidos e Irã no contexto da guerra no Oriente Médio.
O contrato para outubro do barril Brent, referência internacional, despencava 7% na noite deste domingo (2), cotado a US$ 83,57 por volta das 19h30 (horário de Brasília). A commodity acumulou ganhos de mais de 20% ao longo de julho, na maior alta mensal desde março, quando a guerra teve início.
Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, era negociado a US$ 80,60, em perdas de 4,8%
O presidente Donald Trump tem feito acenos em direção a um arrefecimento do conflito, reiniciado no começo de julho após os dois países enterrarem o cessar-fogo assinado no mês anterior.
No sábado (1º), ele anunciou que os Estados Unidos decidiram cancelar um ataque ao Irã, alegando que a decisão foi tomada após o governo iraniano e outros países do Oriente Médio pedirem pela suspensão das ofensivas enquanto um acordo é negociado.
O anúncio foi feito em uma pub licação na rede social Truth Social. Segundo ele, o pedido foi para concluir um acordo que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito de Hormuz, importante via marítima que transporta 20% de todo o petróleo consumido no mundo, e ao “fim da ameaça nuclear iraniana”.
“Com base neste pedido, concordei, para o benefício futuro do mundo e, igualmente, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, condicionado à possibilidade de fazer rapidamente um acordo”, escreveu Trump. Israel “se junta a mim neste compromisso”, disse também.
A agência iraniana Mehr negou neste domingo a versão do presidente americano, dizendo que as declarações são “mais uma mentira” e que o Irã permanece em “estado máximo de alerta” para responder a qualquer hostilidade.
A aparente desescalada de Trump, após dias de ameaças de novos ataques de ambos os lados, foi a mais recente reviravolta na guerra que os EUA e Israel iniciaram há cinco meses.
Em uma reunião de gabinete na sexta-feira (31), Trump disse acreditar que os negociadores norte-americanos, incluindo seu genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio, poderiam chegar a um acordo com o Irã.
Trump argumentou que seu objetivo declarado de impedir que o Irã obtenha armas nucleares justifica o aumento dos custos do petróleo no curto prazo, mas o impacto econômico negativo tem exercido pressão política sobre ele para encontrar uma maneira de encerrar a guerra.
Aumentando as preocupações da indústria energética, os aliados houthis do Irã no Iêmen começaram, nos últimos dias, a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade oposta do Mar Vermelho em relação ao Canal de Suez, outra rota de exportação do petróleo bruto saudita.
A Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou, no sábado, ter recebido relatos de dois incidentes marítimos na costa de Omã. Em um deles, um projétil desconhecido atingiu um navio-tanque, danificando a casa de máquinas. No outro, o comandante de um navio-tanque relatou ter visto um grande respingo e uma explosão perto da embarcação, embora nenhum dano tenha sido relatado.
Diante da disparada do petróleo, Arábia Saudita, Rússia e outros cinco membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiram aumentar a produção em 188 mil barris por dia no mês de setembro em reunião neste domingo.
“Os sete países participantes [da organização] decidiram ajustar a produção para mais 188 mil barris diários”, afirma o comunicado da Opep. O aumento, decidido pelos países-chave da entidade e seus aliados, era esperado por analistas do mercado.
“A Opep+ terminou seus cortes voluntários. O próximo desafio é administrar o excedente que pode surgir à medida que os fluxos de exportação sejam normalizados”, afirmou Jorge León, analista da Rystad Energy.
Ele advertiu, no entanto, que “a decisão de hoje muda pouco a curto prazo, já que [o Estreito de] Hormuz continua restrito. O verdadeiro impacto no mercado acontecerá com a retomada dos fluxos normais de exportação”.

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