Mais de 200 empresas e políticos, incluindo algumas das maiores concessionárias de energia dos Estados Unidos, assinaram um compromisso voluntário para evitar que data centers de inteligência artificial elevem os custos de eletricidade para milhões de americanos, disse o presidente Donald Trump na última quinta-feira (23).
O compromisso é em grande parte simbólico, e especialistas afirmaram que pode ser difícil de aplicar porque reguladores estaduais frequentemente determinam os preços de energia. Mas a situação ressaltou como o aumento da conta de luz se tornou uma preocupação central para os eleitores —e uma potencial vulnerabilidade para os republicanos— antes das eleições de meio de mandato.
Trump anunciou a iniciativa pela primeira vez, que ele chamou de “compromisso de proteção ao consumidor de energia”, durante o discurso do Estado da União em fevereiro. No mês seguinte, a Casa Branca obteve promessas de empresas de tecnologia como Amazon, Google e Microsoft de arcar com uma parcela maior dos enormes custos associados ao fornecimento de eletricidade para novos data centers.
Durante um evento na EPA (Agência de Proteção Ambiental, na sigla em inglês) na quinta, Trump disse que o compromisso atraiu novos signatários, incluindo concessionárias como NextEra Energy, Southern Company e Duke Energy, que fornecem eletricidade para milhões de residências.
“Sabemos que os data centers e a IA estão aumentando dramaticamente a demanda por eletricidade”, disse Trump. “É justo que o custo de construir a nova infraestrutura para atender essa demanda seja arcado pelas próprias corporações, não pelos consumidores americanos e pelos patriotas americanos.”
Além das concessionárias, os novos signatários incluem grandes desenvolvedores de data centers, como Equinix e Digital Realty, e 23 governadores republicanos.
A Casa Branca não procurou governadores democratas para participar do compromisso ou comparecer ao evento, segundo três pessoas informadas sobre o assunto que falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a comentar publicamente.
Nenhum governador democrata assinou o compromisso do governo Trump, e muitos deles anunciaram planos próprios para evitar que data centers aumentem os custos de energia.
Trump tem sido um grande defensor da IA, que ele disse ser essencial para vencer a corrida tecnológica contra a China. A EPA tomou várias medidas para facilitar a construção de data centers, como flexibilizar os limites de poluição das turbinas a gás que frequentemente alimentam as instalações.
Muitas comunidades em todo o país começaram a se opor fortemente aos projetos gigantescos. Uma pesquisa recente do Gallup descobriu que democratas e republicanos igualmente se oporiam à construção de um data center no bairro onde moram, com muitos citando preocupações sobre o potencial ruído, poluição e uso de energia e água.
“Eles precisam de ajuda de relações públicas”, disse Trump sobre as empresas de tecnologia em março, quando anunciou inicialmente o compromisso de proteção ao consumidor de energia.
Nova York se tornou na semana passada o primeiro estado a decretar uma moratória sobre novos data centers. A governadora democrata Kathy Hochul assinou um decreto suspendendo a construção de data centers maiores por um ano enquanto o estado avalia o uso de energia e efeitos sobre o meio ambiente.
Mais de uma dúzia de outros estados consideraram ação semelhante, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais.
Na quinta, Trump argumentou que as comunidades se beneficiariam ao aceitar data centers. Ele observou que professores em Richland Parish, Louisiana, recentemente receberam bônus de US$ 50 mil como resultado de um aumento na receita de impostos sobre vendas gerada por um data center da Meta em construção. Outras concessionárias alegaram que acordos lucrativos com data centers permitiram redução de tarifas para outros clientes.
“Vocês têm comunidades que realmente querem os data centers, e francamente, essas são as comunidades inteligentes porque isso significa um número enorme de empregos e muito pouca perturbação real”, disse Trump.
Ele disse que pessoas contrárias aos data centers eram “comunistas radicais de esquerda” que “não reduziriam as contas de eletricidade. Mas, na verdade, as aumentariam substancialmente porque vocês não teriam esse dinheiro entrando”.
Embora Trump tenha feito campanha com a promessa de cortar os preços de energia pela metade, as tarifas médias de eletricidade residencial nos EUA subiram quase 18% desde que ele voltou ao cargo, conforme os dados mais recentes disponíveis do governo federal.
Embora os data centers não sejam os principais responsáveis pelo aumento nos preços de eletricidade, eles têm o potencial de elevar os custos em alguns lugares, disseram especialistas.
Muitas das instalações gigantes sendo construídas para treinar modelos de IA de ponta precisam de tanta eletricidade quanto uma cidade pequena. Isso significa que podem exigir bilhões de dólares em novas usinas de energia, linhas de transmissão e outras melhorias para se conectar à rede local.
Se as contas de energia pagas pelos data centers não cobrirem todos esses custos, outros clientes têm que compensar a diferença. A demanda dos data centers também pode superar a oferta, elevando os preços.
Cada vez mais, muitas empresas de tecnologia também estão construindo e pagando por suas próprias usinas de energia fora da rede, em grande parte movidas a gás natural, como a Meta está fazendo com um data center em El Paso, no Texas. Trump encorajou esses esforços, que têm menos efeito sobre a rede, embora possam aumentar a poluição do ar.
Em uma entrevista recente à CBS News, Hochul questionou se as empresas que assinaram o compromisso de Trump cumpririam suas promessas. “Pedir a essas empresas que mantenham sua palavra sobre quanto vão consumir —sou mais realista do que isso”, disse ela.

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