Warren Buffett excluiu a Fundação Gates de sua doação anual de ações nesta terça-feira (14). O icônico presidente da Berkshire Hathaway direcionou quase US$ 6 bilhões (R$ 30,4 bi) em papéis para quatro instituições de caridade ligadas à família.
Buffett, que completará 96 anos em agosto, também confirmou que sua participação restante na empresa será direcionada às quatro fundações ligadas à família dentro de oito anos.
A ausência da Fundação Gates ocorre após revelações sobre os vínculos de Bill Gates com Jeffrey Epstein, que vieram à tona pela divulgação de materiais da investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o criminoso sexual.
Buffett disse em março que não havia falado com Gates, cofundador da Microsoft, desde que “toda a história veio à tona”, em referência ao escândalo Epstein. Ele acrescentou que não queria estar em uma posição na qual pudesse ser chamado como testemunha na investigação de Epstein.
Mark Suzman, diretor-executivo da Fundação Gates, disse aos funcionários em fevereiro que as comunicações entre funcionários da instituição de caridade e Epstein sobre um plano de arrecadação de fundos foram “profundamente perturbadoras e deprimentes” e “não deveriam ter acontecido”.
Buffett já doou mais de US$ 47 bilhões (R$ 238,4 bi) para a Fundação Bill & Melinda Gates, incluindo uma doação considerável no ano passado. No entanto, em 2024, ele sinalizou que o resto de sua riqueza iria para uma fundação ligada à sua família quando ele morrer, não para a fundação de Gates.
A fundação disse estar grata pelo “apoio de décadas de Buffett ao nosso trabalho”. “A fundação continua em uma posição de solidez financeira para avançar nosso trabalho até 2045, apoiada pelo compromisso de US$ 200 bilhões (R$ 1 tri) de Bill“, acrescentou.
Nesta terça, ele doou US$ 4,5 bilhões (R$ 22,8 bi) para uma fundação sediada em Omaha nomeada em homenagem à sua falecida esposa e mais US$ 500 milhões (R$ 2,5 bi) para cada uma das três fundações criadas por seus três filhos.
“Meu objetivo é dispor de todas as minhas ações da Berkshire em cerca de oito anos”, disse Buffett. “Meus filhos estão, infelizmente, ficando mais velhos. Tenho toda a esperança de que os três sejam capazes de realizar a disposição das minhas ações até 31 de dezembro de 2034.”
Buffett, que passou seis décadas cultivando uma reputação de probidade à frente da Berkshire, tentou distanciar a empresa de controvérsias. Gates deixou o conselho da Berkshire em 2020, pouco depois dos vínculos com Epstein serem revelados.
Gates e Buffett têm uma amizade de longa data, que remonta ao início dos anos 1990. Em 2006, o investidor se comprometeu a doar anualmente para a fundação iniciada por Bill e Melinda French Gates.
Os três lançaram o Giving Pledge em 2010, no qual convidaram bilionários de todo o mundo a se comprometerem a doar parte de sua riqueza para a filantropia.
As doações de Buffett para a Fundação Gates dependiam do cumprimento de várias condições, incluindo que Bill ou French Gates estivessem vivos e ativos na organização. Buffett renunciou ao cargo de curador da fundação em 2021. O casal se divorciou em 2021, e French Gates deixou o conselho da fundação em 2024.
Gates disse a um comitê da Câmara dos Representantes dos EUA que investiga Epstein, em junho, que havia falado com Buffett pela última vez em janeiro, de acordo com uma transcrição de seus comentários.
“Acho que foi antes da divulgação dos arquivos Epstein”, disse ele. “Conversamos sobre meus desafios de saúde e algumas outras coisas. Tenho certeza de que, sabe, ele está acompanhando a imprensa.”

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